Comecei a escrever em 2014, e desde então a produção não parou. Não interessa aqui contar como cheguei até este ofício — interessa como ele funciona: disciplina diária, séries organizadas por tema e por método, sem depender de inspiração para sustentar o ritmo.
Meu método pode parecer caótico para quem observasse de fora. Mas serve exatamente à minha estrutura mental — já que, ao longo dos anos, fui obrigado a ser patriarca e responsável por pessoas, cães, gatas e gatos, além de centenas de clientes e pacientes, para adequar a satisfação interna exigida pelo meu Ser, fustigado por algo além de mero daemon. Resulta na leitura de obras ininterruptamente — não de forma maçante, mas concatenada com o propósito claro do uso do conhecimento na historiografia e na prática filosófica, no decorrer das histórias que me envolvi.
Como acadêmico de filosofia, ao conhecer a cátedra e seus integrantes, decidi logo nunca fazer parte daquele sistema pedante, amealhado por incautos repetidores de ideias e ideologias. Isso me afastou das amarras das leituras guiadas por professores e coordenadores. Me afastou, também, cada vez mais do convívio social — por entender que o "Outro" precisa do meu afastamento para me receber quando de fato necessitar de minha eudaimonia, seja por escuta, seja por escrito.
Organizo minhas séries de forma conceitual, preocupado com a construção do entendimento — do mais simples ao mais complexo sobre cada tema. A maior parte do meu tempo, nos últimos doze anos, foi dedicada a esse esforço. O resultado: prejuízos na coluna. Por isso, durante o dia, podem me encontrar numa academia de pilates, ou caminhando na orla da Lagoa da Pampulha. À noite, em algum lugar onde eu possa passar como um desconhecido boêmio, nas noites de Belo Horizonte.
Não respondo pedidos de trabalho escolar, resumo de livro ou tarefa com prazo — o prazo aqui é sempre o meu, não o do visitante.
Não escrevo sinopses, prefácios ou cartas de recomendação para terceiros. Quem pede isso geralmente confunde ofício com favor.
Para questões editoriais — uso de obra, traduções, entrevistas, convites — use o formulário abaixo. O resto é silêncio, e o silêncio também é resposta.