Psicanalista · Filósofo cínico · Escritor
Ofício

Escrever não é revelar-se — é produzir.

Comecei a escrever em 2014, e desde então a produção não parou. Não interessa aqui contar como cheguei até este ofício — interessa como ele funciona: disciplina diária, séries organizadas por tema e por método, sem depender de inspiração para sustentar o ritmo.

Meu método pode parecer caótico para quem observasse de fora. Mas serve exatamente à minha estrutura mental — já que, ao longo dos anos, fui obrigado a ser patriarca e responsável por pessoas, cães, gatas e gatos, além de centenas de clientes e pacientes, para adequar a satisfação interna exigida pelo meu Ser, fustigado por algo além de mero daemon. Resulta na leitura de obras ininterruptamente — não de forma maçante, mas concatenada com o propósito claro do uso do conhecimento na historiografia e na prática filosófica, no decorrer das histórias que me envolvi.

Como acadêmico de filosofia, ao conhecer a cátedra e seus integrantes, decidi logo nunca fazer parte daquele sistema pedante, amealhado por incautos repetidores de ideias e ideologias. Isso me afastou das amarras das leituras guiadas por professores e coordenadores. Me afastou, também, cada vez mais do convívio social — por entender que o "Outro" precisa do meu afastamento para me receber quando de fato necessitar de minha eudaimonia, seja por escuta, seja por escrito.

Organizo minhas séries de forma conceitual, preocupado com a construção do entendimento — do mais simples ao mais complexo sobre cada tema. A maior parte do meu tempo, nos últimos doze anos, foi dedicada a esse esforço. O resultado: prejuízos na coluna. Por isso, durante o dia, podem me encontrar numa academia de pilates, ou caminhando na orla da Lagoa da Pampulha. À noite, em algum lugar onde eu possa passar como um desconhecido boêmio, nas noites de Belo Horizonte.

William Marcos na orla da Lagoa da Pampulha
Orla da Lagoa da Pampulha, Belo Horizonte.
Antes de escrever

Não respondo pedidos de trabalho escolar, resumo de livro ou tarefa com prazo — o prazo aqui é sempre o meu, não o do visitante.

Não escrevo sinopses, prefácios ou cartas de recomendação para terceiros. Quem pede isso geralmente confunde ofício com favor.

Para questões editoriais — uso de obra, traduções, entrevistas, convites — use o formulário abaixo. O resto é silêncio, e o silêncio também é resposta.

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© William Marcos