Resumo O uso de substâncias psicoativas acompanha a humanidade desde seus primórdios, atravessando contextos rituais, geopolíticos, artísticos, médicos e recreacionais. Este artigo propõe uma leitura histórica e crítica da relação humana com as drogas, com ênfase nas implicações para a saúde psicossocial contemporânea. A partir de uma perspectiva interdisciplinar — que articula história, neurociência, psicanálise, sociologia e clínica —, o texto examina as raízes culturais da drogadição, os mecanismos de dependência, o impacto das políticas públicas e os desafios para profissionais e familiares que convivem com usuários. Conclui-se que a compreensão histórica e antropológica do fenômeno é condição necessária para uma abordagem clínica verdadeiramente humanizada.
Palavras-chave: drogadição; dependência química; saúde mental; saúde psicossocial; uso de drogas; história das drogas; políticas sobre drogas; psicanálise do vício; dependência química e trauma; cuidado familiar; redução de danos; clínica do vício; psicanálise e dependência química.
1. Introdução A questão das drogas é, antes de qualquer coisa, uma questão humana. Não se trata de uma anomalia surgida na modernidade tardia, de um desvio gerado pelo capitalismo ou de uma fraqueza moral privativa de determinadas classes ou populações. As evidências históricas, arqueológicas e antropológicas disponíveis apontam, com crescente solidez, para o fato de que o uso de substâncias psicoativas constitui uma dimensão estrutural da experiência humana — presente em todas as culturas
conhecidas, em todos os períodos históricos documentados, desde a pré-história até o presente. Para profissionais de saúde mental, psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, terapeutas e demais agentes do campo psicossocial, essa constatação não é meramente acadêmica: ela tem consequências clínicas diretas. Compreender o fenômeno da drogadição em sua profundidade histórica e cultural é condição para escapar das armadilhas moralizantes que ainda contaminam parte significativa das abordagens terapêuticas e das políticas públicas sobre o tema. Como observa Escohotado (1998), em sua monumental Historia General de las Drogas, nenhuma cultura humana jamais viveu sem alguma forma de uso ritual ou recreativo de substâncias psicoativas. A questão nunca foi, portanto, se os seres humanos usarão drogas — mas quais drogas, em que contextos, com que significados e com que consequências. Este artigo propõe percorrer essa trajetória histórica com olhar clínico, extraindo dela subsídios para uma compreensão mais ampla e humanizada da drogadição, útil tanto para pesquisadores quanto para profissionais que atuam diretamente com usuários e seus familiares.
2. As Origens: Substâncias Psicoativas na Pré-História e nas Civilizações Antigas
2.1 O Homem Primitivo e a Descoberta das Plantas Psicoativas As primeiras evidências do uso intencional de substâncias psicoativas remontam a aproximadamente 20.000 anos. A arte rupestre de diversas regiões do mundo apresenta padrões geométricos e figuras que pesquisadores como Lewis-Williams (2002) interpretam como representações de estados alterados de consciência — imagens produzidas por mentes sob efeito de substâncias psicoativas ou de práticas xamânicas de indução ao transe. Os cogumelos do gênero Psilocybe, cujo princípio ativo é a psilocibina, figuram entre as primeiras substâncias psicoativas utilizadas pela espécie humana. Seu uso teria sido descoberto pelo comportamento forrageiro do homem primitivo — por tentativa e erro, pela observação dos efeitos e pela consequente busca deliberada por tais experiências. McKenna (1992), em sua polêmica Food of the Gods, propôs que o contato sistemático com cogumelos psilocibinos pode ter contribuído para saltos qualitativos na cognição
humana, ao ampliar a capacidade de atenção, de reconhecimento de padrões e de raciocínio associativo. Embora especulativa, a hipótese ilumina um ponto central: a experiência psicoativa pode ter sido inseparável, em suas origens, da dimensão espiritual e cognitiva da humanidade.
2.2 Drogas, Espiritualidade e Ritual nas Civilizações Antigas Nas Américas pré-colombianas, o uso de substâncias psicoativas estava profundamente integrado à vida religiosa e comunitária. A ayahuasca — preparado de duas plantas amazônicas (Banisteriopsis caapi e Psychotria viridis) —, utilizada há milênios por populações indígenas sul-americanas, é hoje objeto crescente de investigação científica por suas propriedades terapêuticas. Grob et al. (2011) demonstraram efeitos promissores da psilocibina na redução da ansiedade existencial em pacientes com câncer terminal, em estudo conduzido na Universidade de Los Angeles. Na Grécia Antiga, os Mistérios de Elêusis — ritual secreto praticado por mais de dois milênios, frequentado por figuras como Sócrates, Platão e Aristóteles — provavelmente envolvia o consumo de uma bebida psicoativa preparada com cravagem de centeio (Claviceps purpurea), fungo cujo princípio ativo é precursor químico do LSD. Wasson, Hofmann e Ruck (1978), em The Road to Eleusis, apresentaram argumentação consistente nessa direção. A pertinência clínica dessa constatação é notável: as primeiras filosofias da morte, da imortalidade da alma e do sentido da existência — que formam o substrato cultural do pensamento ocidental — foram elaboradas por homens que possivelmente vivenciaram estados não ordinários de consciência como parte de sua formação intelectual e espiritual.
3. Drogas, Poder e Colonialidade: A Dimensão Geopolítica da Drogadição
3.1 O Ópio e os Impérios A transição das drogas de instrumento ritual para mercadoria imperial representa um dos capítulos mais sombrios da história moderna. O ópio, derivado da papoula (Papaver somniferum), utilizado há milênios como analgésico e sedativo, tornou-se, nos séculos XVIII e XIX, o eixo de uma das operações comerciais mais lucrativas e devastadoras do colonialismo britânico.
A Companhia das Índias Orientais organizou a produção sistemática de ópio na Índia para exportação forçada à China — gerando dependência química em escala populacional. A resistência chinesa deflagrou as Guerras do Ópio (1839–1842 e 1856–1860), cujo resultado foi a legalização compulsória do comércio narcótico no território chinês. Booth (1996), em Opium: A History, documenta com precisão esse processo. O episódio é paradigmático para a compreensão contemporânea da drogadição: ele demonstra que a dependência química pode ser deliberadamente induzida como instrumento de dominação política e econômica — e que as narrativas sobre "escolha individual" e "responsabilidade pessoal" frequentemente obscurecem as estruturas de poder que organizam o acesso e a circulação das substâncias.
3.2 A Emergência da Farmacologia e o Paradoxo do Remédio-Veneno Em 1803, o farmacêutico alemão Friedrich Sertürner isolou pela primeira vez o princípio ativo de uma planta narcótica: a morfina, extraída da papoula. Esse momento é considerado o nascimento da farmacologia moderna. A morfina revolucionou o tratamento da dor — mas também inaugurou uma trajetória que se repetiria com regularidade assombrosa ao longo dos dois séculos seguintes: substâncias sintetizadas como remédio tornam-se problema social quando escapam do controle médico e ganham circulação irrestrita. A heroína — sintetizada em 1898 pela empresa Bayer como suposto substituto não viciante da morfina — é o exemplo mais eloquente. Mas o padrão persiste até hoje: os opioides prescritos como analgésicos nos Estados Unidos nos anos 1990 e 2000 geraram uma das maiores crises de dependência da história americana, com centenas de milhares de mortes por overdose. Quinones (2015), em Dreamland, narra em detalhes esse processo. Peele (1985), em The Meaning of Addiction, propôs uma crítica fundamental ao modelo biomédico reducionista da dependência: a dependência não é explicável apenas pela ação farmacológica das substâncias, mas envolve dimensões psicológicas, relacionais e culturais que o modelo exclusivamente neuroquímico sistematicamente ignora.
4. A Construção Social da Drogadição: Políticas, Moral e Controle
4.1 Da Regulamentação à "Guerra às Drogas" A segunda metade do século XX foi marcada pela consolidação de um paradigma proibicionista que moldou profundamente tanto as políticas públicas quanto as percepções clínicas sobre o uso de drogas. Nos Estados Unidos, a Lei das Substâncias Controladas de 1970, aprovada sob a administração Nixon, criou um sistema classificatório de cinco listas — em que a cannabis foi enquadrada no nível mais restritivo, enquanto álcool e tabaco sequer eram mencionados. A irracionalidade científica dessa classificação foi amplamente documentada. Nutt et al. (2010), em estudo publicado em The Lancet, demonstraram que o álcool é, em termos de dano individual e social combinado, a substância mais perigosa disponível, superando heroína, crack e metanfetamina. A exclusão do álcool dos sistemas de controle mais rígidos reflete escolhas políticas e econômicas — não científicas. Alexander (2010), em The New Jim Crow, demonstrou que a guerra às drogas nos Estados Unidos funcionou, na prática, como mecanismo de controle racial e social — com impacto desproporcionalmente devastador sobre populações negras e latinoamericanas, sem qualquer redução significativa do consumo.
4.2 A Medicalização da Vida e a "Venda da Doença" O fenômeno simétrico ao proibicionismo é a medicalização excessiva da experiência humana. Conrad (2007), em The Medicalization of Society, analisou como a indústria farmacêutica — em articulação com o sistema médico — passou progressivamente a transformar estados existenciais ordinários em diagnósticos tratáveis com medicamento: timidez tornou-se fobia social; tristeza, depressão; agitação infantil, TDAH; luto, transtorno depressivo maior. Esse processo tem consequências diretas para o campo da drogadição. Uma parcela significativa dos usuários de drogas ilícitas é composta por pessoas que buscam, por meios não prescritos, o alívio dos mesmos estados que a indústria farmacêutica oferece tratar com prescrição. Como observa Szasz (1974), a distinção entre droga lícita e ilícita é frequentemente arbitrária e historicamente contingente.
5. Compreendendo a Drogadição: Perspectivas Clínicas e Psicossociais
5.1 Modelos Explicativos da Dependência A compreensão clínica da dependência química evoluiu significativamente nas últimas décadas. O modelo moral — que via o uso de drogas como falha de caráter — cedeu espaço ao modelo de doença, que deslocou a dependência para o campo médico. Ambos os modelos, no entanto, apresentam limitações significativas quando confrontados com a complexidade do fenômeno. O modelo biopsicossocial, proposto por Engel (1977) e amplamente adotado no campo da saúde mental contemporânea, oferece uma perspectiva mais abrangente: a dependência resulta da interação entre fatores biológicos (genética, neurobiologia dos circuitos de recompensa), psicológicos (história de trauma, regulação emocional, estrutura de personalidade) e sociais (contexto familiar, condições socioeconômicas, disponibilidade das substâncias, normas culturais). Gabor Maté (2008), em In the Realm of Hungry Ghosts, desenvolveu uma contribuição fundamental: a dependência, em sua essência, não é sobre drogas — é sobre dor. A grande maioria dos dependentes graves que estudou ao longo de décadas de trabalho clínico havia sofrido traumas significativos na infância. As drogas funcionavam, em todos os casos, como tentativa de regular estados internos insuportáveis, de preencher uma ausência de cuidado precoce que deixou marcas profundas na arquitetura neurobiológica e psíquica do sujeito.
5.2 O Trauma como Núcleo da Dependência A articulação entre trauma e dependência química é hoje um dos eixos mais sólidos da pesquisa clínica nessa área. Van der Kolk (2014), em O Corpo Guarda o Placar, demonstrou que experiências traumáticas precoces produzem alterações duradouras nos sistemas neurobiológicos de regulação do estresse, do prazer e da afiliação. O uso de substâncias psicoativas pode representar uma tentativa de autorregulação desses sistemas cronicamente desregulados. A implicação clínica é direta: tratar a dependência sem tratar o trauma subjacente é tratar o sintoma sem tocar a ferida. Abordagens terapêuticas que negligenciam a história relacional e traumática do sujeito tendem ao fracasso — mesmo quando farmacologicamente sofisticadas.
Winnicott (1975), em sua teoria do desenvolvimento emocional, oferece uma moldura psicanalítica importante para essa compreensão: o comportamento antissocial — categoria em que o uso problemático de drogas pode ser situado — frequentemente representa uma tentativa do sujeito de reencontrar, pela via da transgressão, algo que lhe foi subtraído em um momento crucial do desenvolvimento. A esperança está no próprio sintoma.
5.3 A Dimensão Familiar da Drogadição A dependência química raramente é um fenômeno individual. Ela se inscreve em sistemas relacionais — familiares, sobretudo — que a sustentam, a negam, a intensificam ou, quando adequadamente compreendidos e trabalhados, podem contribuir para sua superação. Stanton e Todd (1982), em sua abordagem sistêmica da dependência, demonstraram que o uso de drogas frequentemente cumpre função homeostática no sistema familiar — desvia a atenção de conflitos conjugais irresolutos, mantém o dependente em posição de filho eterno, perpetua dinâmicas de cuidado que, paradoxalmente, dificultam a autonomização. Essa perspectiva não implica culpabilizar a família — implica compreendê-la como parte do campo terapêutico. A codependência — padrão relacional em que familiares e pessoas próximas ao dependente organizam progressivamente sua vida em torno do comportamento do usuário, perdendo a si mesmos no processo — é um fenômeno tão prevalente quanto pouco reconhecido. Beattie (1987), em Codependent No More, oferece uma das descrições mais acessíveis e clinicamente úteis desse padrão.
6. Perspectivas Contemporâneas: Redução de Danos e Psicodélicos Terapêuticos
6.1 Redução de Danos como Paradigma Ético A abordagem de redução de danos — que busca minimizar os efeitos negativos do uso de drogas sem exigir a abstinência como condição prévia do cuidado — representa uma das mais significativas transformações paradigmáticas no campo da saúde psicossocial nas últimas décadas. Marlatt (1998), em Harm Reduction, sistematizou os princípios dessa abordagem, hoje adotada pela OMS e incorporada às políticas de saúde de diversos países.
No Brasil, a política de redução de danos ganhou contornos próprios no contexto da Reforma Psiquiátrica e da criação dos Centros de Atenção Psicossocial para Álcool e outras Drogas (CAPSad). Nesse modelo, a pessoa em situação de uso problemático de substâncias é acolhida como sujeito de direitos — não como objeto de intervenção moral ou judicial.
6.2 O Renascimento da Pesquisa Psicodélica Um dos desenvolvimentos mais notáveis da neurociência contemporânea é o ressurgimento da pesquisa com substâncias psicodélicas para fins terapêuticos. Centros como Johns Hopkins, NYU e Imperial College London conduziram estudos que demonstram resultados expressivos da psilocibina e do MDMA no tratamento de depressão resistente, transtorno de estresse pós-traumático, ansiedade existencial em pacientes terminais e dependência de álcool e tabaco. Carhart-Harris et al. (2016), em estudo publicado em The Lancet Psychiatry, reportaram remissão significativa de sintomas depressivos em pacientes tratados com psilocibina — em muitos casos, após uma única sessão supervisionada. Substâncias usadas ritualmente por populações indígenas há milênios, proibidas como "sem valor medicinal", retornam agora — pelo caminho da ciência — como potencial fronteira terapêutica.
7. Implicações para a Prática Clínica e para o Cuidado Familiar
7.1 Para os Profissionais de Saúde Psicossocial A abordagem do usuário de drogas deve partir do pressuposto da complexidade — biológica, psicológica, relacional e cultural. A escuta da história de vida, com atenção especial às experiências de trauma, abandono e ruptura vincular, é insubstituível. A aliança terapêutica — fundada no respeito à dignidade do sujeito e na recusa de qualquer postura moralizante — é a condição de possibilidade de qualquer intervenção eficaz. A abstinência não deve ser imposta como condição prévia do cuidado. O objetivo primário é a redução do sofrimento e a ampliação da capacidade do sujeito de agir sobre sua própria vida — seja esse caminho a abstinência, o uso controlado ou a gestão autônoma dos riscos.
7.2 Para Familiares e Conviventes Compreender que a dependência não é escolha moral — mas resposta a uma história de dor — é o primeiro passo para substituir a raiva e a vergonha pela compaixão. Isso não significa tolerar comportamentos destrutivos ou abdicar de limites; significa estabelecer esses limites a partir do cuidado, não da punição. A participação em grupos de apoio a familiares — Al-Anon, Nar-Anon, grupos de orientação familiar nos CAPSad — oferece continência emocional e instrumentos práticos para lidar com a realidade cotidiana da convivência com um usuário. O cuidado de quem cuida é, ele próprio, parte do tratamento. Familiares esgotados, culpabilizados e sem suporte tendem a reproduzir, inadvertidamente, os padrões relacionais que perpetuam a dependência.
8. Considerações Finais As drogas acompanham a humanidade desde seus primeiros passos. Foram portais de espiritualidade, instrumentos de dominação, fontes de inspiração, agentes de cura e vetores de destruição. Essa ambivalência radical é constitutiva do fenômeno — e qualquer abordagem que a ignore, reduzindo a questão a categorias simples de vício, crime ou doença, empobrecerá inevitavelmente sua compreensão e sua prática. Para os profissionais de saúde psicossocial, a herança dessa história é um convite à humildade epistemológica: o ser humano que busca, em uma substância, alívio para sua dor, conexão com o sagrado, ampliação de sua percepção ou simplesmente prazer, não está fazendo algo radicalmente diferente do que seus antepassados fizeram há 20.000 anos. O que mudou — e o que continua a mudar, de forma acelerada — são os contextos, as substâncias, as políticas e os saberes disponíveis para acompanhar esse percurso. A compreensão histórica e antropológica do fenômeno não é, portanto, um ornamento intelectual: é uma ferramenta clínica. Ela amplia a capacidade do profissional de sustentar, sem julgamento, a complexidade do sujeito que tem diante de si — e de oferecer, a partir daí, um cuidado genuinamente terapêutico.
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. Acesso em: 10 abr. 2026.
Sobre o Autor William Marcos é psicanalista, filósofo e escritor. Autor de mais de quarenta obras publicadas em português, inglês, espanhol e francês, dedicou sua investigação à compreensão das estruturas do inconsciente, da linguagem e do pensamento humano — no ponto de encontro entre a psicanálise clínica e a tradição filosófica ocidental.
Com formação teórica e clínica construída ao longo de décadas, é reconhecido pelo diálogo rigoroso que estabelece entre Freud, Lacan, Winnicott e as grandes correntes da filosofia. Sua obra distingue-se por uma combinação rara: precisão conceitual, clareza didática e alcance literário — tornando acessíveis estruturas de pensamento que frequentemente resistem à compreensão mesmo de leitores avançados.
É fundador do Instituto Internacional de Psicanálise e mantém presença ativa na formação de psicanalistas, psicólogos e estudiosos da filosofia em múltiplos países. Seus livros podem são disponibilizados em sua página de autor na Amazon: https://amzn.to/4naLZgL E-mail: wmok34@hotmail.com Site pessoal: https://williammarcospsicanalista.com/ Site institucional: https://institutointernacionaldepsicanalise.com/
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