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18 de outubro de 2025 · Psicanálise · Por William Marcos

RSI em Lacan: Compreenda as 3 Dimensões do Real, Simbólico e Imaginário

O conceito de RSI em Lacan — Real, Simbólico e Imaginário — é um dos pilares da psicanálise estrutural. Entenda o conceito de RSI em Lacan — a articulação entre Real, Simbólico e Imaginário que estrutura a teoria psicanalítica e a prática clínica contemporânea.

RSI em Lacan, ou seja, o real, em Lacan, é aquilo que escapa ao simbólico. A teoria do RSI lacaniano propõe que, não se pode dizer tudo do real: ele sempre resiste à simbolização. (Cap. 19 – ‘Do Real Não se Pode Dizer Tudo’; Livro: Lacan em 20 Frases – A Linguagem do Inconsciente)

Na prática clínica, o modelo RSI de Lacan permite compreender que na análise há uma parte de real nos sujeitos, e uma das coisas ativas que representam a configuração da realidade é o uso da palavra, e sendo a palavra um símbolo, quando proferida e desenvolvida em análise, alteram as experiências ditas como reais, expostas por um sujeito suposto saber, formando a experiência analítica. Então o principal a saber, a buscar, é a resposta de que símbolo é este que se está conduzindo à análise, a palavra.

A compreensão do RSI em Lacan permite articular a clínica com a teoria dos registros, tese de Lacan que insere o sujeito na resistência em penetrar no significado destes símbolos promoverá um imbricado jogo de palavras, sobrepondo-os de modo a dificultar o entendimento mais explícito. E é logo que parece uma irracionalidade processual do pensamento, que Lacan requer usarmos o significado e signos de Saussure , por afirmar que devido ao princípio do prazer, e de forma alucinada, o indivíduo irá transportar suas ilusões ou satisfações fantasiosas para uma ordem que é só sua. Imaginário.

Essas satisfações imaginárias são mais facilmente encontradas em registros sexuais, onde o sujeito/objeto se funda num mesmo agente.

Não há ato sexual em si, o imaginário do indivíduo desenvolve o deslocamento, que serão as variações de um comportamento sexual mais repetido. Considerando que o comportamento coletivo do ato sexual para determinado animal seja o parâmetro para sua satisfação, contamos de explicar o que é esse caminho, fruto das imagens que o indivíduo usará fora de tal parâmetro para sua satisfação.

“Talvez uma das frases mais polêmicas de Lacan, “não há relação sexual” não significa, como alguns equivocadamente interpretaram, uma negação da sexualidade ou da experiência erótica. Trata-se, antes, de um enunciado lógico: não existe uma fórmula simbólica capaz de inscrever a complementaridade entre os sexos. A relação entre homens e mulheres, ou entre parceiros em geral, é atravessada por falhas de linguagem, por desencontros estruturais e pela impossibilidade de uma plena tradução recíproca.” (Cap. 4 – ‘Não Há Relação Sexual’; Livro: Lacan em 20 Frases – A Linguagem do Inconsciente)

Estamos falando da 'fantasia', exemplificando este ato fetichista, quando ao observar determinado objeto, um indivíduo, manipulando-se irá ejacular, quando seria mais aceitável pelo senso comum, que tal ejaculação se devesse ao contato íntimo deste indivíduo com o sexo oposto. No momento da análise, o indivíduo usará a palavra, relatando fantasias, como forma simbólica de inserir em análise o desejo de 'falar' sobre seu imaginário. Para o analista, esse é o RSI em Lacan, a linguagem usada nos relatos dá o tom do simbólico a respeito do imaginário.

Enquanto a linguagem é desprovida de significação, sobre o RSI em Lacan, cabe ao analista ligar os possíveis símbolos a seus signos de modo a incluir o significativo no histórico de registros do sujeito e do valor simbólico dos sintomas. O indivíduo no

momento de seus relatos irá querer construir uma experiência analítica, numa indução em pensar que está resolvendo sua questão do mais gozar , no 'aqui e agora' relatado e reforçado ser tomado como verdade.

A linguagem corporal, facial, além da entoação verbal, demonstrará as variações daquelas tentativas, do horror ao gozo ignorado. Nas sociedades, a palavra decreta a Lei. Se trago para minha história, usando a palavra para relatá-la estou decretando vias de regras que se adaptam à Lei moral mais adequada ao Real. Esta adaptação serve para nos livrar da culpa que há nas relações imaginárias e simbólicas.

No entanto, não admitindo-se vamos preferir sintomas de angústia, como modo do que Freud chama de pulsão de morte, aquilo que está além do princípio do prazer, inefável e inadmissível no contexto que aceito das minhas relações sociais e sexuais ditas como satisfatórias e normais ao senso comum do qual faço parte, integro e me entrego. Ao refletirmos sobre o RSI em Lacan, notamos como o real resiste à simbolização

Leitura Recomendada

MARCOS, William. Lacan em 20 Frases: A Linguagem do Inconsciente. Belo Horizonte: Amazon, 2025. Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0FP1K1XQX. Acesso em: 18 out. 2025.

Sobre o Autor

William Marcos é escritor brasileiro, psicanalista, filósofo e historiador em filosofia. Foi professor da ABRAFP – Associação Brasileira de Filosofia e Psicanálise entre os anos 2014 e 2016, fundou o Instituto Internacional de Psicanálise em 2017, juntamente com renomados psicanalistas brasileiros, e hoje dedica-se à vida intelectual com produção de livros, ao atendimento especializado a autistas e familiares. Psicanalista atuante desde 2012, reconhecido por sua trajetória dedicada ao pensamento crítico, à

ética e à compreensão profunda da psique humana, William Marcos combina sensibilidade clínica a um olhar filosófico singular sobre os dilemas da existência, desenvolvendo seus estudos clínicos e filosóficos. Autor de ensaios, traduções filosóficas, compêndios referências em filosofia e obras clínicas, construiu um estilo próprio: unir rigor conceitual e clareza narrativa, tornando complexos conceitos psicanalíticos acessíveis e aplicáveis à vida contemporânea. Vivendo em Belo Horizonte, Minas Gerais, William encontra inspiração nas caminhadas pela orla da Lagoa da Pampulha, pratica esportes em seu clube preferido, o Iate Tênis Clube, prezando suas horas do ócio dedicadas à vida cultural da capital mineira. Seus livros podem são disponibilizados em sua página de autor na Amazon: https://amzn.to/4naLZgL E-mail: wmok34@hotmail.com Site pessoal: https://williammarcospsicanalista.com/ Site institucional: https://institutointernacionaldepsicanalise.com/

Referências Bibliográficas

LACAN, Jacques. Le Séminaire, Livre XXIII: Le sinthome. Paris: Seuil, 2005.

LACAN, Jacques. Le Séminaire, Livre XVII: L’envers de la psychanalyse. Paris: Seuil, 1991.

LACAN, Jacques. Le Séminaire, Livre XX: Encore. Paris: Seuil, 1975.

LACAN, Jacques. Seminário, Livro 1: Os Escritos Técnicos de Freud (1953-1954). Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

LACAN, Jacques. Seminário, Livro 7: A Ética da Psicanálise (1959-1960). Rio de Janeiro: Zahar, 1988.

LACAN, Jacques. Seminário, Livro 11: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise (1964). Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

LACAN, Jacques. Seminário, Livro 20: Mais, Ainda (1972-1973). Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

MARCOS, William. Lacan em 20 Frases: A Linguagem do Inconsciente.

Belo Horizonte: Amazon, 2025. Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0FP1K1XQX. Acesso em: 18 out. 2025.

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